13 de novembro de 2014

E Se Hoje Te Apetecesse Rir?

 Só rir , rir muito…

A vida dá muitas voltas… e pelas curvas vamos encontrando desafios, pessoas que entram e saem, inseguranças, medos, transformamo-nos, superamo-nos…

Nada nem ninguém passa por nós sem deixar alguma coisa, sem levar algo de nós…

Será que nos perdermos nesse frenesim de experiências, desafios e conquistas? Será que endurecemos? Ou em contrapartida amolecemos e perdemos os nossos sonhos? Passa a dar igual o que depois venha?

Hoje neste mundo a uma velocidade estonteante: 1 foto nas redes sociais dá a volta ao mundo e de repente pessoas com nome e apelido para nós a vêem e a comentam simultaneamente desde os 5 continentes… hoje não temos tempo de ler os livros que gostaríamos, à velocidade que gostaríamos mas de repente lemos as notícias principais dos principais jornais do mundo em mais do que uma língua, lemos trechos, artigos, blogs de opinião de pessoas com vidas e perspetivas diferentes que nos enriquecem as nossas, vemos concertos desde casa e trocamos recomendações com mais meio mundo…. em apenas uns pares de horas…. Temos acesso a viajar, conhecer culturas novas, comer, beber e ver coisas novas,… temos amigos em mais de meio mundo que visitamos ou com quem trocamos experiências… se calhar nós próprios já vivemos em quase meio mundo…
… e ainda assim algumas vezes não assimilamos a velocidade que a nossa própria vida pode alcançar.

Tenho 40 anos! Não tendo em absoluto o peso da idade cronológica, ainda assim parei já várias vezes para refletir sobre a crise que avassalou o caráter, a serenidade, a felicidade, os valores da minha geração…
Temos uma carga imensa e contraditória: os valores dos nossos pais e avós que ainda foram muito próximos a nós, a nossa educação passou bem mais por eles do que por escolas, ATLs e atividades extracurriculares, versus este novo mundo nesta nova velocidade com a sua tecnologia inteligente (que não crescemos com ela - os nossos adolescentes e crianças, não sei bem qual será o resultado mas encaram/encararão tudo isto de forma diferente)…

Temos a contradição de hoje um mundo cheio de «forma», de imagem, de facilitismo, de amores fáceis e pingados, de bebidas, trabalhos, relações, amizades... tudo light e tudo precário, com a vontade e a esperança de encontrar «fundo», de encontrar essência, de encontrar coisas mais verdadeiras, mais autênticas…
Temos máquinas inteligentes – que nos afastam daquilo que é importante mas que definitivamente aceleram processos, homens e mulheres potencialmente livres e interessantes – que não se encontram e se auto-destroem e martirizam em busca ninguém sabe bem de que; trabalhos e carreiras que começam aos tropeços, tarde e acabam antes do tempo. Contradições de ser demais (velho demais, currículo demais, estudos demais…) ou não ser o suficiente (não ser suficientemente experiente, suficientemente maduro, suficientemente perfeito….) para uma nova oportunidade… Carreiras brilhantes e muitas delas castradoras de qualidade de vida e que levam muitos à famosa «corrida del raton» - não pode parar porque senão tudo se desmorona…
Os filhos que amamos e que tememos o mundo em que vão viver... a quem tentamos dar o nosso melhor mas que no final do dia esse melhor não é suficiente para nos calar as vozes de «será que dou tudo o que realmente importa»...

… e de repente, os céus escurecem… tudo é negro…. Tudo está mal à nossa volta…
As pessoas não prestam, as/os amigas/os traem-nos, invejam-nos, os/as homens/mulheres são «todos iguais», «tudo me acontece», os patrões são uns fdp, os empregos são todos precários, este país é uma m*, educar um filho não é fácil, o caminho «é solitário» …

… e se hoje só te apetecesse rir … rir muito???

Acredito que todas estas constatações e «curvas da vida» não tenham uma solução única e previsível… cada experiência para cada um, tem a sua própria solução no momento. Uma solução condicionada obviamente com a carga de informação que carregamos nas nossas pesadas mochilas, mas também com a abertura de entender com esta ou aquela situação ou pessoa perspetivas diferentes.
… talvez aqui resida a diferença… porque aqui é onde entram as lutas interiores de ego, questões de rejeição, de insegurança, as contradições daquilo que queremos realmente com aquilo que ou nos acomodamos a ter ou nos agarramos a não perder, auto-estimas baixas (que inclui muito mais do que uma simples baixa auto-imagem), solidão – ainda que com «mil gentes» ao redor…

Perdemos muito quando perdemos um emprego, quando lutamos por uma segurança julgada alcançada a nível profissional e/ou económico? Perdemos muito quando perdemos um amor, uma paixão, um conjunto de vontades? Perdemos muito quando nos defraudamos com as pessoas e com as nossas causas?
Perdemos!
Perdemos principalmente uma vida insípida e com ausência de experiências!
Perdemos! Perdemos uma existência sem desafios e sem superação!
Perdemos! Perdemos a oportunidade de nos conhecermos e de nos reencontrarmos com o melhor de nós!

Ganhamos uma oportunidade de nos reinventarmos, de nos redefinirmos. Ganhamos a poesia da vida – nenhum poeta foi alguma vez sol, amor e flores somente… os melhores renasceram das cinzas. Os melhores «escarafuncharam» as dores…
Ganhamos a oportunidade de forjar um caráter que nos identifica, nos dá um ADN nosso - («Para te tornares insubstituível, torna te único» - Coco Chanel).
Ganhamos uma vontade de rir … de rir muito… e de pensar que mesmo já com metade da vida provavelmente passada (aos 40) as rugas que devem persistir são apenas essas : as de rir muito! Com o compromisso de - se nada nem ninguém passa por nós sem deixar algo , e algo de nós levam sempre – que conheçam e levem parte do nosso melhor! Porque nós podemos sempre continuar, voltar a ser ainda melhor!

Rir, rir muito …

Sossegar a alma, inquietar o espírito e viver com a mesma honradez, humildade e vontade que as nossas gerações passadas viveram e que desejamos vivam as futuras; Viver sem apegos e aflições, tomando o compromisso de segurar as rédeas de nós próprios sem nunca colocar em causa a nossa liberdade ou integridade; Trabalhar com garra e amar sem limites, sermos o exemplo para os nossos filhos...

Sonhar (o futuro) com fé e vontade de fazer acontecer; Perdoar (tudo e todos) rápido; Amar (muito) sempre; Apaixonarmo-nos (por pessoas e coisas) perdidamente; Voar (alto, mesmo sem rede) sem medo; Dar 2ªs (3ªs e 4ªs...) oportunidades... ;
Dançar (com a vida) ... porque quem dança é muito mais feliz!

Uma vida vivida em cima do «salto alto» desfrutada «com os pés descalços»

Rir, rir muito … e que mais alguém (quem esteja ao nosso lado) ria connosco!










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