26 de setembro de 2014

Afinal O Que SOU?

Afinal o que SOU? Sou os meus olhos!

Nasci e o primeiro que me dizem que o obstetra japonês do Hospital Príncipe Humberto em São Bernardo do Campo, SP, Brasil disse sobre mim à minha mãe foi que a menina tinha uns olhos lindos grandes e pretos que pareciam 2 jabuticabas… até hoje em cada aniversário me recordam isto.

… Fazendo me a pergunta de quem sou é apenas isso de que me lembro: de que nasci assim com os olhos bem abertos com vontade «de mundo», com uma alma espelhada continuamente, mais preparada e treinada em «olhar» os outros que facilitadora a que me «olhem» em mim… muito amada e com amor pelos meus – sem dúvida o meu ponto mais fraco e o meu ponto mais forte também

Sou uma romântica em contínua analise, tornei me explosiva e agitada – durante muitos anos não era capaz de mastigar chocolate… saboreava lentamente deixando o derreter. Hoje já o mastigo e como com mais velocidade.
Amo até doer e não consigo abandonar «o barco» enquanto há ocupantes…
Sou viciada em mimo! Dar e receber e voltar a dar – nunca entendi essa coisa de que mimos se devem poupar ou dosear.

Falo demais, sou impulsiva… há dias que não me aguento!!! Há dias que sei que não me aguentam…

Já fiz muitas coisas… já fui muito reconhecida, já fui muito enganada, já coleccionei muitas vitórias, já perdi muitas batalhas… os meus olhos ganharam alguns rasgos de tristeza … mas tenho uma ambição desmedida de felicidade, ou melhor da escolha consciente de ser feliz e fazer quem me rodeia mais feliz ou pelo menos melhor do que se eu não existisse.

Tolero muito facilmente a reconciliação e as 2ªs e 3ªs e 4ªs oportunidades… até que me salta a tampa… e aí não há volta atrás.

Transmito uma falsa imagem de «forte» mas o meu caminho deu me uma «fortaleza» que algumas vezes me chego a assustar com ela… ainda que sem dúvida é a coluna vertebral da minha luta diária.

Gosto de criar, de trabalhar, de construir… sou dedicada. Vivo uma organizada desorganização e ainda luto para eliminar a necessidade emocional e as expectativas de parcerias, sociedades, companhia… não consigo deixar de me revoltar com as injustiças e de me castigar por confiar demais.

Já amei, já fui amada, magoei e fui muito magoada, já me arrependi de arriscar no amor, já me arrependi de não arriscar até que me decidi que não me arrependerei mais mas que também não tolerarei mais estar pior acompanhada do que sozinha – que sei que nunca estarei só, estando bem e resolvida comigo e com a vida! Por isso tenho os meus «buracos» onde me recupero, lambo as feridas, costuro-me quando me «rasgo»… e os meus trampolins que uso para voltar a tentar, para voltar a arriscar, para me lançar nos meus trapézios nos quais, mesmo sem rede, teimo em querer voar.

Conscientemente e transversal a todas as áreas tenho de deixar de carregar o fardo da culpa e da responsabilidade ao seu extremo – culpa e responsabilidade das decisões dos outros eu sou a primeira a aconselhar ser o maior erro para qualquer um.

Tornei-me Mãe e com isso aprendo todos os dias a canalizar de forma diferente os meus esforços, a minha emoção, as minhas expectativas, as minhas prioridades e todos os dias há um exercício de entrega e de amor vivo e de dois sentidos. 
Ao ser mãe o meu corpo transformou-se (ainda tenho a esperança de algum dia priorizar um bom e adequado implante ahahaha) mas as inseguranças são bem mais pequenas. Tornei-me mais real, com mais energia, mais mulher… 
Ser mãe é uma força e uma vontade férrea de ser mais e melhor todos os dias e um medo constante de não o conseguir – sei que sentimentos reconhecidos por (quase) todos os que são mães e pais.

Mas nisto tudo tenho os meus momentos em que me sinto algumas vezes como o velho sentado no banco de um jardim que olha em sua volta e sorri… umas vezes recorda… outras apenas observa… saboreia o chocolate ou rói os caroços das jabuticabas (in «o tempo e as jabuticabas»)…
… não tenho, não sei, como explicar o muito por onde já passei… quando me sinto acusada de não ser assim tão fácil falar daquilo que passou, silenciosamente penso que basta perguntarem… e esperarem pela resposta… tal como a um velho sentado num banco de jardim. Mas o que importa os meus olhos contam – eles ainda assim continuam bem abertos, com vontade «de mundo», com uma alma espelhada continuamente e hoje apenas anseio (…) caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse Amor absolutamente sem fraudes (…) O essencial faz a vida valer a pena. (in «o tempo e as jabuticabas»)
… e eu só quero o essencial!





ps Esta pergunta e esta resposta não sei se caberiam num blog de maternidade pura... tendo em conta que considero que este não é um blog de maternidade mas é um blog puro, onde existe uma mãe, uma mulher, um filho, uma vida, tropeços, alegrias... faço-a e respondo-a aqui... mais a mim do que ao mundo uma confissão das inquietudes que uma mulher & mãe e todos os seus demais papeis.
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