2 de setembro de 2013

Poemas e Poetas - Sarah Kay

Este poema é absolutamente fantástico!

Tentei traduzir... e porque perde força, deixo aqui as duas versões: a original em inglês - obrigatória! - e uma tradução livre em português.

Sarah Kay - «If I should have a daughter»

Aqui estão as «palavras»:

Wikipedia about Sarah Kay 
"If I should have a daughter, instead of "Mom," she's gonna call me "Point B," because that way she knows that no matter what happens, at least she can always find her way to me. And I'm going to paint solar systems on the backs of her hands so she has to learn the entire universe before she can say, "Oh, I know that like the back of my hand." And she's going to learn that this life will hit you hard in the face, wait for you to get back up just so it can kick you in the stomach. But getting the wind knocked out of you is the only way to remind your lungs how much they like the taste of air. There is hurt, here, that cannot be fixed by Band-Aids or poetry. So the first time she realizes that Wonder Woman isn't coming, I'll make sure she knows she doesn't have to wear the cape all by herself because no matter how wide you stretch your fingers, your hands will always be too small to catch all the pain you want to heal. Believe me, I've tried.

"And, baby," I'll tell her, don't keep your nose up in the air like that. I know that trick; I've done it a million times. You're just smelling for smoke so you can follow the trail back to a burning house, so you can find the boy who lost everything in the fire to see if you can save him. Or else find the boy who lit the fire in the first place, to see if you can change him." But I know she will anyway, so instead I'll always keep an extra supply of chocolate and rain boots nearby, because there is no heartbreak that chocolate can't fix. Okay, there's a few heartbreaks that chocolate can't fix. But that's what the rain boots are for, because rain will wash away everything, if you let it.

"I want her to look at the world through the underside of a glass-bottom boat, to look through a microscope at the galaxies that exist on the pinpoint of a human mind, because that's the way my mom taught me. That there'll be days like this. ♫ There'll be days like this, my momma said. ♫ When you open your hands to catch and wind up with only blisters and bruises; when you step out of the phone booth and try to fly and the very people you want to save are the ones standing on your cape; when your boots will fill with rain, and you'll be up to your knees in disappointment. And those are the very days you have all the more reason to say thank you. Because there's nothing more beautiful than the way the ocean refuses to stop kissing the shoreline, no matter how many times it's sent away. You will put the wind in winsome, lose some. You will put the star in starting over, and over. And no matter how many land mines erupt in a minute, be sure your mind lands on the beauty of this funny place called life.

"And yes, on a scale from one to over-trusting, I am pretty damn naive. But I want her to know that this world is made out of sugar. It can crumble so easily, but don't be afraid to stick your tongue out and taste it. "Baby," I'll tell her, "remember, your momma is a worrier, and your poppa is a warrior, and you are the girl with small hands and big eyes who never stops asking for more." Remember that good things come in threes and so do bad things. And always apologize when you've done something wrong, but don't you ever apologize for the way your eyes refuse to stop shining. Your voice is small, but don't ever stop singing. And when they finally hand you heartache, when they slip war and hatred under your door and offer you handouts on street-corners of cynicism and defeat, you tell them that they really ought to meet your mother."

em português (tradução livre)

Se eu tiver uma filha em vez de “mãe” ela vai chamar-me “Ponto B”
porque assim ela saberá que, aconteça o que acontecer, vai sempre conseguir encontrar o caminho até mim.
E vou-lhe pintar sistemas solares nas costas das mãos para que tenha que aprender o universo inteiro antes de conseguir dizer: “Ah, eu conheço isso como as costas da minha mão”.
E vai aprender que esta vida vai bater-te com força na cara,
esperar que te levantes só para poder pontapear-te no estômago.
Mas ficar sem fôlego é a única maneira de lembrar os teus pulmões o quanto eles gostam do sabor do ar.
Há dor,
aqui,
que não pode ser curada com pensos rápidos ou poesia.
Então, na primeira vez que ela perceber que a super-mulher não virá,
vou certificar-me que ela sabe que não vai ter que usar a capa sozinha, porque não importa o quanto esticas os dedos,
as tuas mãos serão sempre pequenas demais para chegar a toda a dor que queres curar.
Acredita, eu já tentei!
“E, querida” – dir-lhe-ei, “não andes assim com o nariz empinado.
Eu conheço esse truque, já o usei um milhão de vezes. Estás só a cheirar o fumo para lhe poderes seguir o rasto até uma casa em chamas, para que possas encontrar o rapaz que perdeu tudo no incêndio, para ver se o podes salvar.”
Ou então encontrar o rapaz que ateou o fogo, para ver se o consegues mudar.”
Mas sei que ela o fará de qualquer maneira,
por isso vou ter sempre um lote extra de chocolate e galochas,
porque não há corações partidos que o coração não arranje.
Ok, há alguns corações partidos que o chocolate não pode reparar,
mas é para isso que servem as galochas,
porque a chuva lavará tudo se a deixarmos.
Quero que ela veja o mundo através do lado debaixo de um barco com fundo de vidro,
que veja através de um microscópio as galáxias que existem no topo de uma mente humana,
porque foi assim que a minha mãe me ensinou. Que vai haver dias assim
♫ Vai haver dias assim, dizia a minha mãe.♫
Quando abres as mãos para apanhar algo e acabas apenas com bolhas e pisaduras,
quando sais da cabine telefônica e tentas voar e as pessoas que queres salvar são as mesmas que estão a pisar-te a capa;
quando as tuas botas se encherem de chuva, e tiveres desilusão até aos joelhos.
E são precisamente esses os dias em que tens ainda mais razão para dizer:
“Obrigada”.
Porque não há nada mais belo que a forma como o oceano se recusa a parar de beijar a margem não importa quantas vezes é varrido de volta.
Vais ganhar e vais perder.
Vais ter que recomeçar, uma e outra vez.
E não importa quantas minas surjam num minuto assegura-te que a tua mente aterra na beleza deste lugar engraçado chamado vida.
E sim, numa escala de “um” a “demasiado-confiante”, eu sou mesmo muito ingénua.
Mas quero que ela saiba que este mundo é feito de açúcar.
Pode esboroar-se tão facilmente, mas não tenhas medo de pôr a tua língua de fora e de o provar.
“Querida” – vou dizer-lhe – “lembra-te que a tua mãe se preocupa, e que o teu pai luta, e que tu és a menina de mãos pequenas e olhos grandes que nunca deixa de pedir mais”.
Lembra-te que as coisas boas vêm em grupos de três tal como as coisas más.
E pede desculpa sempre que fizeres algo de errado.
Mas nunca peças desculpa pela forma como os teus olhos se recusam a deixar de brilhar. A tua voz é pequena, mas nunca pares de cantar.

E quando finalmente te partirem o coração, quando te entregarem por baixo da porta, guerra e ódio e pelas esquinas te oferecerem panfletos de cinismo e derrota, diz-lhes que deviam conhecer a tua mãe.”


Aqui fica um "Ted Talk" dela onde ela começa precisamente com este poema... é de ficar com os «pelos em pé»!! - obrigatório também!




... e vocês, que poemas gostam? Ou que poetas?

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